31 Janeiro 2010
Beijo
A menina deu-lhe um beijo e correu
correu,
por tudo que é mais sagrado, chorava
dava sua inocência, rasgava
abraçava o profano,
mas
no meio do rosto molhado
um sorriso de uva
um achado, uma alma
correu,
por tudo que é mais sagrado, chorava
dava sua inocência, rasgava
abraçava o profano,
mas
no meio do rosto molhado
um sorriso de uva
um achado, uma alma
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O meu bem
Enveredou por cortinas de areia
entre teus olhos
o meu bem
Pelas praias de conchas que dizem uchhhhhhhh
Está aqui agora, senta ao teu lado
porque aqui esteve sempre
Ouse admitir, uma vez
que todas tuas lágrimas foram meu sal
e que da ponta da língua,
sob o sol da altitude te vejo,
mas não por te olhar
por querer
entre teus olhos
o meu bem
Pelas praias de conchas que dizem uchhhhhhhh
Está aqui agora, senta ao teu lado
porque aqui esteve sempre
Ouse admitir, uma vez
que todas tuas lágrimas foram meu sal
e que da ponta da língua,
sob o sol da altitude te vejo,
mas não por te olhar
por querer
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12 Janeiro 2010
Sonho: O velho, os dois meninos
Dois meninos eram amigos, o mais novo gostava de brincar pela rua e pelos galpões, o mais velho tinha obrigações. Devia comprometer-se com as regras da religião. Andava com seu quipá branco mesmo quando acompanhava o outro pela rua em suas peregrinações de criança. O velho judeu e seus sermões pregavam o menino à sua rotina. O senhor vendia comida em um carrinho todo branco, próximo ao portão de saída.
Naquele dia havia o menino mais novo escondio as facas do faqueiro da dona da casa dele por aí, enfiando-as nos buracos. Os dois garotos caminharam até o portão, onde encontraram a dona da casa conversando com um operário, recém-chegado de fora. Sua roupa, suas mãos e braços eram sujos. A mulher segurava um pedaço de carne assada, com osso, que, apesar de ser vermelha, dizia ser de pato e iria se desfazer dele para o lixo. Não poderia usá-lo, portanto o homem poderia aproveitá-lo. Ele arrancou um naco e pôs na boca, e o menino mais novo fez o mesmo com um pedaço menor. Apesar da vontade, o menino do quipá não pôde. A mulher resgatou do chão uma das facas escondidas, suja, mas não fez questão de usá-la para cortar a carne. Mais tarde, o menino mais velho, como todos os dias, encontrou o senhor judeu em seu carrinho, onde este lhe deu um copo alvo de leite e um quitute. Disse o senhor que o menino tomava o leite pois sabia de suas obrigações, mas o menino respondeu que tomava porque gostava de leite. E então repetiu o judeu o já conhecido sermão sobre as responsabilidades religiosas.
O velho também tinha uma rotina, secreta. Ia algumas vezes à beira da represa e saía em sua jangada movida a compressor de ar, para além dos bancos de terra e aguapés a um destino que os meninos não sabiam, mas queriam imaginar. Então foram os dois até a represa. Subiram na jangada e ligaram o jato de ar que, em vez de uma hélice, a movia pela água. Ao passar por duas pequenas ilhotas, com surpresa avistaram à direita o judeu com engradados de cerveja e churrasco. “Por que você está aqui?”, perguntou o velho dirigindo-se ao menino do quipá. Antes que este pudesse responder, ouviu-se um barulho; uma canoa aproximava-se deles pela frente. Estava cheia de homens negros. O velho judeu, então, pegou uma espingarda e, após montá-la rapidamente com as duas partes, começou a matar os negros, um a um.
Naquele dia havia o menino mais novo escondio as facas do faqueiro da dona da casa dele por aí, enfiando-as nos buracos. Os dois garotos caminharam até o portão, onde encontraram a dona da casa conversando com um operário, recém-chegado de fora. Sua roupa, suas mãos e braços eram sujos. A mulher segurava um pedaço de carne assada, com osso, que, apesar de ser vermelha, dizia ser de pato e iria se desfazer dele para o lixo. Não poderia usá-lo, portanto o homem poderia aproveitá-lo. Ele arrancou um naco e pôs na boca, e o menino mais novo fez o mesmo com um pedaço menor. Apesar da vontade, o menino do quipá não pôde. A mulher resgatou do chão uma das facas escondidas, suja, mas não fez questão de usá-la para cortar a carne. Mais tarde, o menino mais velho, como todos os dias, encontrou o senhor judeu em seu carrinho, onde este lhe deu um copo alvo de leite e um quitute. Disse o senhor que o menino tomava o leite pois sabia de suas obrigações, mas o menino respondeu que tomava porque gostava de leite. E então repetiu o judeu o já conhecido sermão sobre as responsabilidades religiosas.
O velho também tinha uma rotina, secreta. Ia algumas vezes à beira da represa e saía em sua jangada movida a compressor de ar, para além dos bancos de terra e aguapés a um destino que os meninos não sabiam, mas queriam imaginar. Então foram os dois até a represa. Subiram na jangada e ligaram o jato de ar que, em vez de uma hélice, a movia pela água. Ao passar por duas pequenas ilhotas, com surpresa avistaram à direita o judeu com engradados de cerveja e churrasco. “Por que você está aqui?”, perguntou o velho dirigindo-se ao menino do quipá. Antes que este pudesse responder, ouviu-se um barulho; uma canoa aproximava-se deles pela frente. Estava cheia de homens negros. O velho judeu, então, pegou uma espingarda e, após montá-la rapidamente com as duas partes, começou a matar os negros, um a um.
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05 Janeiro 2010
A graúna
A graúna voou
foi ter com a nuvem
Levou de mim a destemperança
em seu rosto triste
levou o ar
Voou a graúna
e meus olhos porque insistem
voam também molhar
que a nuvem agora é raio
Que será da graúna
virá um estalo ou virará cantar?
foi ter com a nuvem
Levou de mim a destemperança
em seu rosto triste
levou o ar
Voou a graúna
e meus olhos porque insistem
voam também molhar
que a nuvem agora é raio
Que será da graúna
virá um estalo ou virará cantar?
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16 Dezembro 2009
Cóssegas
Que foi feito das preces
antigas receitas?,
que foi feito da alma?
Poucos gramas pesa hoje
o sentimento que tenho
porque tê-lo é
ser atravessado
Embuído das cóssegas
de uma incógnita
per se
rio – e dou no mar
antigas receitas?,
que foi feito da alma?
Poucos gramas pesa hoje
o sentimento que tenho
porque tê-lo é
ser atravessado
Embuído das cóssegas
de uma incógnita
per se
rio – e dou no mar
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