Tesa

por Rodrigo Franco em 20/03/2015

Chocalho
chlhchlhchlh
Minha pele toda seu retesa

Empresta o coxo intermitente da dúvida

O suspense é menos que o pequeno som da areia

sovalhando o ar e desvelando

as criaturas que somos

num instrumento de particularidades

insólidas 

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Tréslucid

por Rodrigo Franco em 4/03/2015

Nadirás
sobrecomo sentome
comportominhas abertas
Sintome Saloméias
verdades, louscuras remexixemse
Sedulusão pitobresca tirasvoaçantes
brilhos; hipneurótico ser
essenser triscolor
Poisentrarás linda
hiperbuliçante e tomara
que venhaslogo
tombarme

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Meo

por Rodrigo Franco em 4/03/2015

Meandros inquestionáveis
inquietas naves
detalhes mundanos
mas mundiais
Teorias, teleoparlatórios, ensaínhos
Poucos panos
indi gestos
Nós aqui pomo-nos as mãos
lhe tomamos o pomo, a logia
mas o que gostamos, mais que tudo
Onde vivemos, indigentes
graças a deus, indígenas
O que logramos
é sua folga

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Nigredo

por Rodrigo Franco em 26/02/2015

A sombra volta
mas é raio
portanto luz
fez-se-luz feliz
falácia
Só os bobos conhecem a
mágica da temperança
e para os lobos resta
a aliança com seu pelo negro
com sua saliva áspera
por seu dentro o que assa
nigredo – não é segredo
é quando chumbo
cachaça

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Enchem-se todos o que poucos têm; têm todos de que nada sabem; paradoxo

por Rodrigo Franco em 25/02/2015

Sigo vigilante
de meus fios, luzes imagens
contrastes e o que tenho em coisa viva
me devora; que tenho em víveres
esgota-se
As dúvidas de todos são minhas
troçam porém consternadas
como gotas que enchem nuvens

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Medo

por Rodrigo Franco em 3/02/2015

Gritam de fora
e vem de dentro
Que
?

Trovejam e no mesmo instante
vogais ancestrais
Que – ê – ê
?

Deixei que caíssem minhas tábuas
e atravessei o vale
Gritam de fora
Que tens tu
? tenho medo

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Veneninho

por Rodrigo Franco em 2/01/2015

E disse que são marionetes
com bocas grandes cortadas
vermelhas
E disse que o tecido que nos cobria
era um sedoso veneno
“Um veneninho bom,
sem semente”
Só o fel
Não há descaso, aqui
O que cabe é maior
que o mundo
mas menor que o seu
São marionetes e esfregam as mãos
pinicam os fios
abrem as bocas
Vão falar

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Pequeno-vivo

por Rodrigo Franco em 1/12/2014

Petrifico nos olhos,
que olhos?, braços
que arranho
ah rhh
Nas unhas um amor que chega
Suado crispado
Feliz
Penso que é feliz entre as cidades
esse meu amor
quero que seja
que eleja mártires
Mas que quebre regras
e os ressuscite em janelas
que são os verdadeiros individros
desse lugar
minha macrosmópole
de pequenos vivos bibelôs.

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Ceviche

por Rodrigo Franco em 1/12/2014

Ceviche dos confins
caudalosos
da região de rios
Pegos passados cortados
Cada gota do limão arde
feridas na boca
assa aftas
conflitos
que havia, que
emenda trouxinhas de parfum
e sobe rente em vapor rodeando
o anzol interior que fisga por entrolhos
falta-lhe, apenas,
nada falta, soberano,
falta-lhe apenas um pouco de sal

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Vilã

por Rodrigo Franco em 6/11/2014

Excessivamente, a palavra
dorme em excesso
Fora doce, fora outrora
palavra de outros tempos
Intento
Mas agora ressona intranquila
em casa de vila
em pequenas casinhas simplórias
beijadas por quintais
quintescentes
Agora é vilã
Se ainda é viva
é porque respira meu ar
meu escasso ar
e me retira
ser
excessivamente

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