Pó
Meu pó é diferente
tem colocações entre as partículas
proposições
e por isso permeia; é diferente nos sentidos
Seca, agarra, extrai, contrai – contrata
1 quilo do meu pó
e não haveria mundo
Meu pó é diferente
tem colocações entre as partículas
proposições
e por isso permeia; é diferente nos sentidos
Seca, agarra, extrai, contrai – contrata
1 quilo do meu pó
e não haveria mundo
Seus dedos brincam
com os inquietos espíritos das prateleiras
Enrubescem meu dia, entornam-me o copo
da plenitude
Trazem a verdade da minha existência
a um pequeno erro de caligrafia
E deste prólogo de receitas caseiras
me fazem jurar que não tomaria
qualquer tempo de vida por carrasco ou dádiva:
apena por meu
Morto és, moribundo
filho de um res
filho de um huno
de uma barbárie que pinça as amídalas
Agora vens clamar
vens ater
atear?
A que era pertences a que hora?
e agora vens a amar?
Ao teu lodo lanço o lótus
porque a esperança é branca
também é o laço
de tua cortina
Morto
Pensei em imagens
em vigas que são as sobrancelhas da realidade
por mim passaram fadas
anéis infinitos
Eis que o teto ruiu
para cima do eixo que rege os signos
dos mortos e vivos, para longe
E as criaturas mais antigas me tomam em tinta
se esvaem em elipses do que é amargo
o suco com as cores – e nenhuma.
Grito; o chão que peneira as carnes, as massas, as paredes
o ruído
De tudo que é, resto nuvens
Resisto
Queria compartilhar com os poucos que passam por aqui de vez em quando: o poema “A graúna” (que pode ser lido aqui) recebeu menção honrosa no 9º Concurso de Contos e Poesias da Editora Guemanisse. Fico muito feliz, afinal, sou apenas um poeta amador (que é o mesmo que amador de poesia).
Diz-se ser o bom do ateu
experimentar a liberdade
Que seja, então, divina;
Se temos que experimentar a morte
quem há de nos dizer se é livre?
Toda mata é sagrada ao lobo
E onde quero chegar
através da trama de minha bandeira
das delicadas fresas do tempo
dos dedos do sol
seletivo
que sopra pequenas faíscas
de suspensão
Panos quentes, pés
Folhas roxas, lábios e eternamente
Silêncio
Onde quero chegar
não importa
Disseram-me sobre
a metafísica Teoria das Cordas
Concordo
Como se iria escutar
a música do cosmo?
Há quem vá à rua de pátina
e quem venha singrando a mim
Conheça a saudade mais prática
ou não ache assim tão ruim
ser levado aos cantos da lógica
de onde vê os desenhos que eu vi
Os traçados no lápis de Lúcifer
os tratados, os Tártaros, os vis
Lobos cordiais em peles despóticas
Canções jovens tantã tamborim
em crescendo, resumo caótico
de um tempo que só faz
cair
cair
cair
cair