Se pudesse me perguntar
quanto é o tempo, diria metade
Metade é um bom começo
ao endereço de tudo
Tudo o que é sagrado
que é unido, carne mea
chora os pirilampos do indivisível ovo do cosmo
E as luzes são macias ao bem querer
Mas é mistura, minha cara,
o que lhe proponho
no paralelo abraço que componho
no sopro ansioso o deleite
o único gole do que é meu, minha metade
meu amor
Posted by Rodrigo Franco
on dez 30, 2011
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Todos sou eu:
A cozinha está aberta
Meus cheiros desavisados
afagam os estranhos
Meus lustres sensatos
Minhas listas
E os olhos de cebola
Desaguam
ao topo do meu aposento
o descalabro,
meu bicho
de estimação tão pequenino
Posted by Rodrigo Franco
on dez 27, 2011
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Sua sombra e a minha
por dentro das árvores
ao largo do sol
trançam pares
embebem poeiras
raízes pássaros
Teares da própria
luz, têm cores
têm vida
refutam os experts
que as dizem vazias
São dedicadas à dança
passos marcados por nós
na mesma completude
sua sombra
e a minha
Posted by Rodrigo Franco
on nov 22, 2011
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Indomável
explosão
violeta
Os desenhos frouxos do seu guarda-chuva
mostram-me o caminho
ao apontar estrelas na calçada
Torço-me a escaldar
berços de falha em água fria
Já me dizia, andas demasiado torto
Pois o meu mosto
é minha safra
é meu paladar
Posted by Rodrigo Franco
on nov 11, 2011
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De uma paródia
nasce um livro mal vivido
que decide o que haverá
por sua capa (embotada das digitais
e da gordura dos dias)
E nos repetimos
Multiplicados os olhos
nas entrepalavras
nas entramas
qual será o xiste
para perceber o que já existe
nos epílogos mamíferos
de uma aposta?
Posted by Rodrigo Franco
on nov 11, 2011
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Afagas-me
ao relento
entre as coisas de nós
e os nós
porque temos a quem
precisar
E dura mil anos teu afago
com os dedos calejados
a dentro de mim
saindo por feridas por
cascas de âmbar
E a cisma
meu perjúrio constante
Deixa pra lá
Posted by Rodrigo Franco
on nov 9, 2011
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O colocador de faixas
tropeça
no amarelo
Ouve das montanhas
É chegada a hora
É de seu passado o inverno,
chora em íris de ouro,
(a boca em aros em elo)
mas é vindouro como a certeza
das coisas mais baixas
Posted by Rodrigo Franco
on out 14, 2011
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Como se houvesse moldura para os desfechos
Todas lágrimas, cernes, suor e calafrio
Segura minha mão
pois não te vejo como as nuvens e as montanhas
Não te toco como a areia e a água, apenas ouço
o inexplicável de teu ser
que passa por mim não ao fim
mas ao perene colóquio da amizade
Ao recomeço:
Mais me importa crer
Do resignado corpo
ainda resta um espírito inconforme
Posted by Rodrigo Franco
on set 24, 2011
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Pela porta, luz
e as escadas que tanto lavraram
remontam-se umas sobre as outras
em seus mitos ladeados por encostas
Ouvi que dos cantos celestes
como dos muros da cidade; falavam as máquinas
Os ourives do tempo
barganham o brio inatingível
de uma tranquilidade minha,
acenando com um sorriso cínico
ao meu sonho de que pudesse pegá-la
abraçá-la em seu calor; em meu sonho beijar
sua fronte enquanto enriqueço por mil eras
as riquezas de um recém-chegado
Mas sigo carregado de um porvir
Posted by Rodrigo Franco
on set 23, 2011
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Deixa saber que o sol é um ícone
só podia ser Deus, pintado
mas curvado, este sol
aos ícones
às conceições
às representações
E não há nada mais enganador
E não há nada mais revelador
que uma constante
espreitando cada suspiro,
cada par de olhos fechados
cada sorriso, cálido
e zumbido
e o aceite incumbido na força paralela
de eu estar só e estar contigo
Posted by Rodrigo Franco
on jun 14, 2011
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