25 Fevereiro 2010
Antofagasta
Acordei
nas costas de Antofagasta
sua pele dobrada de pedras
com rostos de homens
sua sombra apagada
em luz de hecatombes
sua vez em milheiros: altítese
Era como deitar o ouvido
no colo do mundo
e olhar o desenho de Deus
pastilhado em sussurro
a haver sustenido
de livrar o que é meu
nas costas de Antofagasta
sua pele dobrada de pedras
com rostos de homens
sua sombra apagada
em luz de hecatombes
sua vez em milheiros: altítese
Era como deitar o ouvido
no colo do mundo
e olhar o desenho de Deus
pastilhado em sussurro
a haver sustenido
de livrar o que é meu
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19 Fevereiro 2010
Mareado
Quero a praia, entre a vida e a morte.
Mareado pela vida,
quero a areia
de meus antepassados,
que me fustigue cais soprados por meu dinheiro,
pois o que tenho
agora não paga
a dívida de ter naufragado nos lençóis do descontinente crasso.
Que a alvorada me julgue em meu bailado
desproporcional,
o que enterro é o mastro comunal
da história.
Mareado pela vida,
quero a areia
de meus antepassados,
que me fustigue cais soprados por meu dinheiro,
pois o que tenho
agora não paga
a dívida de ter naufragado nos lençóis do descontinente crasso.
Que a alvorada me julgue em meu bailado
desproporcional,
o que enterro é o mastro comunal
da história.
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17 Fevereiro 2010
Bicho
Ouviram a dança dos capins dourados
o sol nas margens secas
tirava raízes de outrora
Ouviram a percussão
e as ondas, murmurindo a tez da realidade
Os lagartos que sabiam
foram-se num sinuoso desvio
Soçobraram os queridos peixes
boquiabertos
e os mosquitos beliscaram as águas
para levar dela o último reflexo vivo
Às dez e dezessete grunhiu
por aqui um bicho
que nunca ouvi
mas um dia
hei de saber contar
o sol nas margens secas
tirava raízes de outrora
Ouviram a percussão
e as ondas, murmurindo a tez da realidade
Os lagartos que sabiam
foram-se num sinuoso desvio
Soçobraram os queridos peixes
boquiabertos
e os mosquitos beliscaram as águas
para levar dela o último reflexo vivo
Às dez e dezessete grunhiu
por aqui um bicho
que nunca ouvi
mas um dia
hei de saber contar
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09 Fevereiro 2010
Plano
Vaga mundo
no negro
tenso
Quão seguras suas linhas?,
quanto as minhas?
Quão certa sua cor,
profunda no lenço,
no meu intenso?
A nave que o comanda
sol, lua, vento, fogo, magma,
neve
à parte o plano
porque tudo é imaginário
no negro
tenso
Quão seguras suas linhas?,
quanto as minhas?
Quão certa sua cor,
profunda no lenço,
no meu intenso?
A nave que o comanda
sol, lua, vento, fogo, magma,
neve
à parte o plano
porque tudo é imaginário
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31 Janeiro 2010
Beijo
A menina deu-lhe um beijo e correu
correu,
por tudo que é mais sagrado, chorava
dava sua inocência, rasgava
abraçava o profano,
mas
no meio do rosto molhado
um sorriso de uva
um achado, uma alma
correu,
por tudo que é mais sagrado, chorava
dava sua inocência, rasgava
abraçava o profano,
mas
no meio do rosto molhado
um sorriso de uva
um achado, uma alma
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