Menininha

por Rodrigo Franco em 15/05/2015

Menininha doce
catapulta choro explosão
de sininhos
catarse incontrolável
fitas cor sim sim
Estrondos, sátiras,
beijinhos mimos
medo, ácaros e trovão
luvas uvas
pulsa pulsa meu bom
corçãozinho

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Vórtice

por Rodrigo Franco em 15/05/2015

Tragado
assim se diz de quem se foi
por força de algo
sumiu. Sinto que também é assim
pra quem surgiu
Sugeri que fosse tragado
também quem ama,
e o amor compôs
me cuspiu

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Olhares

por Rodrigo Franco em 30/04/2015

O que sou senão
os que me percebem?
Sou todos e cada
uma porta sem casa
a sacada sem parede
sem ganchos
com rede
sede vós minha toada
sede rebanho e minha morada
sede menina, mãe, filha e amor de namorada,
nunca um toque mas sempre um beijo
A vós distribuo o que pouco já se conserva
no olhar e toques de minerva
assim sujeito

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Armadilha

por Rodrigo Franco em 29/04/2015

Virou a moeda
e viu uma cobra,
sibilo raso como se por cima do ombro
houvesse alguém que não se quer
Mas antes:
seu dedo nu acariciava
o metal e o gosto ferroso fez curvas na língua
E sim, virou a moeda
mas a serpente era dobra
do seu polegar

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Gula

por Rodrigo Franco em 29/04/2015

Para Julia e Chris

Que engasgo me vem por vezes
sozinho agachado em minha garganta
padeço. Esqueço.
Daí você chega, daí sinto que garganta nenhuma
me tem
nem de moscas ou
baleias profundas,
que luzes, que cócegas!
Nasço profundo por vezes
Caço meu fundo, desabrocho cem vezes
cada segundo vezes milhares de meses
E os engasgos são senão meu calo gostoso
E com a mesma garganta ferida
engulo todo seu riso guloso
engulo-me-lhe

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Tração

por Rodrigo Franco em 29/04/2015

Não existe
o que funciona ou não
que existe é o resto, equação
rápida sub
tração; as pás, o tempo
presciente
emoliente
o que funciona ou não
Existe

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Xícara

por Rodrigo Franco em 29/04/2015

Hoje quebrei uma xícara, sentei
e chorei
Minhas dúvidas às dúzias todas elas
quebravam infinitamente pelos desenhos
do dragão de cerâmica escabrunhado
indizível que me olhava curioso
Seu vapor confortável
Seu toque
Levei a mão ao lábio por desejo
Era sangue

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Fenda

por Rodrigo Franco em 26/04/2015

Que te joga no chão
entre paralelepípedos (na verdade pedregos)
Passa por cima
Nem de olhos úmidos
Nem da vontade
Do vômito das lacrimais (serviçais da cozinha da alma)
e da calma que já se senta lícita
comportada
e como coça a garganta
esse colar de dívidas

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Tesa

por Rodrigo Franco em 20/03/2015

Chocalho
chlhchlhchlh
Minha pele toda se retesa

Empresta o coxo intermitente da dúvida
O suspense é menos que o pequeno som da areia
sovalhando o ar e desvelando
as criaturas que somos
num instrumento de particularidades
insólidas

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Tréslucid

por Rodrigo Franco em 4/03/2015

Nadirás
sobrecomo sentome
comportominhas abertas
Sintome Saloméias
verdades, louscuras remexixemse
Sedulusão pitobresca tirasvoaçantes
brilhos; hipneurótico ser
essenser triscolor
Poisentrarás linda
hiperbuliçante e tomara
que venhaslogo
tombarme

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