poesia — Rodrigo Franco @ 15:31

Meu pó é diferente
tem colocações entre as partículas
proposições
e por isso permeia; é diferente nos sentidos
Seca, agarra, extrai, contrai – contrata
1 quilo do meu pó
e não haveria mundo

Dedos

poesia — Rodrigo Franco @ 11:29

Seus dedos brincam
com os inquietos espíritos das prateleiras

Enrubescem meu dia, entornam-me o copo
da plenitude
Trazem a verdade da minha existência
a um pequeno erro de caligrafia
E deste prólogo de receitas caseiras
me fazem jurar que não tomaria
qualquer tempo de vida por carrasco ou dádiva:
apena por meu

Nós bárbaros

poesia — Rodrigo Franco @ 20:59

Morto és, moribundo
filho de um res
filho de um huno
de uma barbárie que pinça as amídalas

Agora vens clamar
vens ater
atear?

A que era pertences a que hora?
e agora vens a amar?
Ao teu lodo lanço o lótus
porque a esperança é branca

também é o laço
de tua cortina
Morto

Íntegra

poesia — Rodrigo Franco @ 20:33

Pensei em imagens
em vigas que são as sobrancelhas da realidade
por mim passaram fadas
anéis infinitos
Eis que o teto ruiu
para cima do eixo que rege os signos
dos mortos e vivos, para longe

E as criaturas mais antigas me tomam em tinta
se esvaem em elipses do que é amargo
o suco com as cores – e nenhuma.
Grito; o chão que peneira as carnes, as massas, as paredes
o ruído
De tudo que é, resto nuvens
Resisto

*Nota

poesia — Rodrigo Franco @ 20:10

Queria compartilhar com os poucos que passam por aqui de vez em quando: o poema “A graúna” (que pode ser lido aqui) recebeu menção honrosa no 9º Concurso de Contos e Poesias da Editora Guemanisse. Fico muito feliz, afinal, sou apenas um poeta amador (que é o mesmo que amador de poesia).

Ateu

poesia — Rodrigo Franco @ 23:17
“Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros.” Saramago.

Diz-se ser o bom do ateu
experimentar a liberdade
Que seja, então, divina;
Se temos que experimentar a morte
quem há de nos dizer se é livre?

Suspensão

poesia — Rodrigo Franco @ 23:05

Toda mata é sagrada ao lobo
E onde quero chegar
através da trama de minha bandeira
das delicadas fresas do tempo
dos dedos do sol
seletivo
que sopra pequenas faíscas
de suspensão
Panos quentes, pés
Folhas roxas, lábios e eternamente
Silêncio
Onde quero chegar

não importa

Haicai par

poesia — Rodrigo Franco @ 16:59

Assim é meu haicai
não sou de contar sílabas
minha palavra cai

Teoria

poesia — Rodrigo Franco @ 12:31

Disseram-me sobre
a metafísica Teoria das Cordas
Concordo
Como se iria escutar
a música do cosmo?

Valsa

poesia — Rodrigo Franco @ 13:27

Há quem vá à rua de pátina
e quem venha singrando a mim
Conheça a saudade mais prática
ou não ache assim tão ruim
ser levado aos cantos da lógica
de onde vê os desenhos que eu vi
Os traçados no lápis de Lúcifer
os tratados, os Tártaros, os vis
Lobos cordiais em peles despóticas
Canções jovens tantã tamborim
em crescendo, resumo caótico
de um tempo que só faz
cair
cair
cair
cair

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